O Dia Nacional da Matemática é comemorado em 6 de maio, de acordo com Lei aprovada pelo congresso Nacional em 2004, de autoria da Deputada Professora Raquel Teixeira, por idéia da Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM). A escolha desse dia tem como motivação a data de nascimento do professor Julio César de Mello e Souza, amplamente conhecido como Malba Tahan.
O objetivo dessa comemoração é divulgar a Matemática como área de conhecimento, sua história e suas aplicações no mundo, bem como sua ligação com outras áreas de conhecimento, buscando derrubar aquele velho mito de que aprender Matemática é difícil e apenas privilégio de poucos.
Malba Tahan é o pseudônimo do professor de matemática Julio César de Mello e Souza, nascido no Rio de Janeiro no dia 6 de maio há 115 anos.
Júlio César de Mello e Souza adotou como primeiro pseudônimo R. S. Slade ao necessitar fingir que era um escritor de outro país e conseguir publicar uma história num jornal, pois seus contos já haviam sido rejeitados quando ele os assinava com seu verdadeiro nome. A técnica funcionou e publicou a história A vingança do Judeu. Assim, ele decidiu usar sempre um nome estrangeiro. Mais tarde, escolheu Malba Tahan, pois adorava escrever histórias árabes e nomes árabes para seus personagens desde criança. Essa escolha ocorreu após estudar árabe, 1918 e 1925, ler o Talmude e o Corão, estudar História e Geografia do Oriente e, combinado com Irineu Marinho, do jornal A NOITE, criou o personagem Ali Iezid Izz-Eduim Ibn Salim Hank Malba Tahan. O nome Tahan foi tirado do sobrenome de uma de suas alunas e significa moleiro. O nome Malba significaria oásis.
Fonte: Foto de Júlio César de Mello e Souza. Disponível em www.matematicahoje.com.br/imagens/malba_tahan.gif
Apesar de não ter sido considerado um estudante exemplar, pois suas notas muitas vezes foram abaixo da média, ele se desenvolveu quando necessário nas letras e na matemática. Ainda criança ganhou dinheiro vendendo textos, aos seus colegas de sala, a partir dos trabalhos solicitados pelos professores. O dinheiro servia para pagar a sua merenda, pois sendo de família numerosa, nem sempre a mesada que seu pai enviava era suficiente para cobrir suas mínimas necessidades, como comprar chocolates para o lanche.
Ele nasceu no Rio de Janeiro em 1895 e morreu aos 79 anos, em 1974, no Recife, tendo morado uma época na cidade de Queluz, em São Paulo, onde existe um museu intitulado Instituto Malba Tahan dedicado a esse prodigioso defensor da matemática como disciplina de fácil acesso a todos, desde que seja tratada da maneira adequada.
Teve uma natureza peculiar de menino irreverente por meio das histórias que gostava de criar desde criança, sem contar os cinqüenta sapos que chegou a ter na casa de seus pais, tendo apelidado um deles de Monsenhor (este o acompanhava em suas andanças, saltitando atrás dele).
Por ser contra à maneira tradicional com que professores de matemática agiam com seus alunos, ele próprio foi um professor ousado para a época e gostava de ir muito além do ensino teórico e expositivo. Para ele "O professor de Matemática em geral é um sádico. Ele sente prazer em complicar tudo". Por motivos como esse, ele sempre foi contrário a se dar nota zero. E dizia, "Por que dar zero se há tantos outros números?".
Com o seu jeito irreverente de tratar o raciocínio matemático através de suas histórias e personagens, Malba Tahan (autor e personagem ao mesmo tempo), Beremiz e tantos outros, Júlio César de Mello e Souza é amado em diversos países pelos matemáticos e jovens estudantes, sendo o autor de vários livros como A Sombra do Arco-Iris (seu livro predileto), Lendas do Deserto, Céu de Allah, etc, e um dos maiores sucessos literários de nosso país, o romance, O Homem que Calculava, já traduzido em doze idiomas e superado a marca das 42 edições.
Fonte: Contra-capa do livro O Homem que Calculava.
Disponível em http://www.educacional.com.br/upload/blogSite/984/984754/8663/Digitalizar0038b.jpg
Além de produzir uma vasta obra literária como Malba Tahan, Mello e Souza encontrou tempo para escrever vários livros de Matemática e Didática da Matemática.
Sozinho ele produziu diversos livros com temas em Geometria Analítica, Trigonometria Hiperbólica, Funções Moduladas, etc
Fonte: Mello e Souza vestido de sheik árabe, em trajes das mil e uma noites.
Disponível em http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=563
O Dia Nacional da Matemática, por enquanto, é apenas reconhecido pela SBEM, mas já existem iniciativas para incluir a data em calendários oficiais. A SBEM prevê organizar e realizar eventos comemorativos, nesta data, sendo a cada ano, definida uma temática comum como eixo desses eventos, que poderão incluir a realização de atividades como feiras de Matemática abertas à comunidade, oficinas e palestras para professores, mostra de trabalhos de escolas, acampamentos de jovens para discussão de problemas matemáticos, apresentações teatrais e artísticas em geral.
Referências
http://www.educacional.com.br/upload/blogSite/984/984754/8663/Digitalizar0038b.jpg
http://www.mat.ufrgs.br/~portosil/malba.html
www.matematicahoje.com.br/imagens/malba_tahan.gif
http://www.champ.pucrs.br/matema/malba_tahan.htm
http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=563